Escrevo desde sempre
Tenho lembranças remotas de, ainda não alfabetizada, pegar uma folha de papel, preencher com letras imaginárias, dobrá-las e transformar em um livro que ninguém leria.
Fui criança nos anos 90 e não sei se a moda continua, mas lá pelos meus 8 ou 9 anos, comecei com os diários. Das primeiras páginas em que marcava os aniversários e dizia algo bem trivial sobre o dia, para aquelas da adolescência, cheias de amores não correspondidos e dramas das nossas primeiras relações humanas com a família e as amigas (no feminino mesmo).
Ainda na escola, escrevi dois livros para atividades propostas na aula de português. Os encontrei em meio a outros achados quando minha mãe faleceu. Uma das histórias era sobre uma heroína de guerra (afinal, um dia eu só entendi que já era feminista) e a outra, um suspense, com uma capa desenhada pela minha mãe.
Segui escrevendo para mim e para as pessoas próximas a mim. Sempre gostei de cartas. Tenho uma caixa inteira de cartas trocadas com as amigas e bilhetes enviados à minha mãe. Nas cartas, as palavras começaram a sair de mim para chegar ao outro, ainda que de forma íntima e individual.

Quem me conhece há mais tempo sabe que escrever assim, de forma aberta, só aconteceu depois do diagnóstico do câncer. Naquele momento, eu precisava exprimir tudo aquilo que não cabia dentro, e foi assim que acabei encontrando essa entidade que, para mim, tem um valor enorme: o leitor.
A outra pessoa, que chega com a história dela e que consegue se ver, refletir sobre sua vida, ou mesmo, em muitos casos, dizer palavras bonitas de volta, que me encantam ou trazem conforto ao meu coração.
Esse processo foi meio caótico e não intencional, publicando no Instagram ou no falecido Medium, até resolver inaugurar essa newsletter que completa 3 anos agora em fevereiro.
Escrever tem uma magia para mim. Um propósito único que dá sentido à minha vida de uma forma que praticamente nenhuma outra atividade me dá.
Por um tempo, achei que escrever não era pra mim. O hábito da leitura só entrou na minha vida na fase adulta, eu não tenho quase nenhuma familiaridade com a nova gramática, ou melhor, nunca fui muito amiga de nenhuma teoria. Mas o ato em si me ajuda todos os dias. Seja escrever nas páginas do caderno, que não sei se é diário, se são votos para o futuro, se é meu jeito de reclamar em silêncio ou pensar através das palavras (ainda assim, são minha válvula de escape), seja algo que acabe parando nas redes, quando o conteúdo acaba me parecendo bom ou interessante a ponto de ganhar o mundo da World Wide Web.
Ao longo dos últimos dois anos, em que a vida saiu do eixo, não ter uma constância por aqui foi algo que apertou meu coração. Não por você, querida leitora, querido leitor, pois sei que na toada do dia você não deve ter parado para pensar “caramba, faz tempo que não recebo uma newsletter da Bruna”, mas por mim, que sei da importância disso tudo e que não estava conseguindo alimentar algo que me faz tão bem. Afinal, qualquer escritor irá concordar que é na troca que a coisa se sacraliza.
Na última edição, falei sobre fabricar sentido. Muito foi falado sobre propósito, tanto que a palavra, como quase todas, coitadas, que caem na moda, se esvaziou de significado. Ainda assim, acredito na força da intenção que colocamos nas coisas. E na beleza que é o processo de criação. De criar qualquer coisa, mas de agir, de transformar nossas experiências, visões e emoções em algo concreto.
Não farei promessas de um ano ritmado por aqui, pois meu ano ainda está tão pouco visível aos meus olhos. Mas sei que, de uma forma ou de outra, vou sempre continuar escrevendo. E só de saber da existência de algo que pode me servir de forma tão bonita e genuína, me reconheço como uma mulher de sorte.
Obrigada!
Queria deixar aqui meu mais sincero agradecimento à você que me lê há muito tempo e a você que talvez esteja me lendo pela primeira vez. Em tempos de disputa pela atenção, mil e uma opções de entretenimento, vida corrida e esgotamento, você escolheu abrir este e-mail (ou clicar no link talvez) e ler esse texto singelo, mas sincero. Então, te agradeço por isso ✨️
De fora para dentro
Pernoite na penumbra e a escrita maravilhosa do Nathan Elias-Fernandes
Às vezes parece que eu nunca vou conseguir escrever de novo, da Brecha, de Daniela Arrais
Bono: Histórias de Rendição, pura arte e sensibilidade. Vale cada segundo.
O amor é um catalisador de bem-estar, podcast da querida Dani Moraes
Obrigada por chegar até aqui 🌻
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Bruna, caso eu nunca tenha dito: você me inspira! Das nossas primeiras trocas de e-mail até os comentários por aqui <3 Tinha começado um texto sobre minha escrita na infância e suas palavras me deram força para não desistir de concluir :)
Parabéns pelos três anos de news, que venham muitos outros! Beijos!
Ah, querida! Te ler é sempre um prazer e um aprendizado.
Já estive neste lugar da falta de constância e neste ano estou me sentindo mais preparada para esse compromisso. Eu queria ter pegado mais leve comigo nos momentos que não pude escrever mais. Espero que você encontre essa gentileza. O importante é que sempre é (e será) tempo de retomar! Obrigada pela recomendação do podcast. Uma honra!!